Na Ucrânia, a rede elétrica enfraquecida enfrenta uma onda de calor extrema


A Ucrânia preparava-se na segunda-feira para um aumento “intenso” das temperaturas nos próximos dias, com uma onda de calor que se desloca para leste e que deverá aumentar a pressão sobre uma rede elétrica já enfraquecida.

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Os ataques de drones e mísseis russos devastaram a rede energética da Ucrânia desde a invasão de Moscovo em Fevereiro de 2022, causando danos no valor de dezenas de milhares de milhões de euros e levando a cortes de energia frequentes nas épocas mais frias e mais quentes do ano.

Os gestores da rede em pelo menos cinco regiões, desde Ivano-Frankivsk, no oeste, até Zaporizhia, na linha da frente, no sul, anunciaram que restrições temporárias ao consumo de eletricidade entrariam em vigor na terça-feira.

O Centro Hidrometeorológico Nacional indicou que o país enfrentaria um “calor intenso”com temperaturas esperadas entre 35°C e 38°C na segunda-feira.

“O calor também constitui um teste sério para equipamentos que operam em condições de guerra há mais de quatro anos e resistiram a numerosos ataques”Sergii Kovalenko, diretor geral da fornecedora de energia Yasno, neste fim de semana.

Lembrou que o verão é o período de pico dos trabalhos de reparação da rede, postos à prova durante o inverno pelas repetidas greves russas, pelo que o sistema já está a funcionar “no limite de suas habilidades”.

“É por isso que, nos próximos dias, o sistema elétrico funcionará de forma extremamente tensa”ele acrescentou.

Calor extremo

A onda de calor asfixiou pela primeira vez a Europa Ocidental na semana passada, fazendo com que o mercúrio disparasse para níveis recorde e colocando pressão sobre os hospitais, as redes de transportes e as infra-estruturas eléctricas, num continente cujo equipamento não foi concebido para suportar tais temperaturas e onde o ar condicionado continua a ser pouco comum.

Mais de 1.300 mortes adicionais foram registadas na Europa desde 21 de junho, segundo a agência de saúde da ONU, incluindo várias crianças pequenas que morreram trancadas em carros e adolescentes afogados enquanto procuravam um pouco de frescor em áreas de natação não supervisionadas.

A França relatou pelo menos 74 mortes por afogamento desde 18 de junho e a Polónia relatou 17 afogamentos só no domingo.

“Eu gosto de todo mundo, procuro ficar na sombra e beber muita água”, Susanne, residente em Viena, disse à agência AFP na margem de um rio perto da capital austríaca.

“Só espero que os decisores políticos compreendam a situação e comecem a definir um rumo na direção certa”ela acrescenta.

Os Bálcãs preparavam-se para temperaturas de até 40ºC na segunda-feira, com os bombeiros na Bósnia lutando contra os incêndios provocados pelo calor.

Previa-se que pelo menos 130 milhões de pessoas na Europa sufocassem em temperaturas acima de 35°C, em comparação com 190 milhões no domingo, segundo uma análise da AFP.

Esta onda de calor é a mais intensa alguma vez registada na Europa e teria sido “virtualmente impossível” isto no início do verão sem alterações climáticas, de acordo com o grupo de cientistas da World Weather Attribution.

Foram batidos recordes de temperatura absoluta na Alemanha, Polónia e República Checa, bem como recordes de junho no Reino Unido e na Suíça.

Fontes adicionais • AFP



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