O surto de Ébola que assola a República Democrática do Congo (RDC) está a espalhar-se de forma mais rápida e virulenta do que os esforços para o conter, alertou a instituição de caridade médica global Médicos Sem Fronteiras (MSF) na quarta-feira.
O actual surto na RDC e no vizinho Uganda foi declarado uma emergência de saúde global em Maio.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que a situação actual em África é muito mais grave do que os números oficiais sugerem e deve-se em parte aos movimentos populacionais e aos atrasos no tratamento.
A Reuters relata que o número de casos confirmados de Ébola triplicou em menos de cinco semanas, para 1.926, incluindo 702 mortes, até domingo, de acordo com dados oficiais, prevendo-se agora que esse número tenha aumentado.
É o terceiro maior surto de Ebola já registrado e de crescimento mais rápido, segundo MSF.
«Cada atraso custa vidas. Continuamos a perseguir o surto em vez de nos anteciparmos a ele», disse Trish Newport, gestora do programa de emergência de MSF, apelando a uma «ação» internacional mais coordenada para melhorar o tratamento do Ébola, segundo o relatório da Reuters.
Cerca de 15.000 pessoas morreram devido ao vírus em países africanos nos últimos 50 anos.
Profissionais de saúde transportam um paciente com doença do vírus Ebola em uma maca de uma ambulância no Centro de Tratamento de Ebola (ETC) em Bunia, Ituri, leste da República Democrática do Congo, em 23 de junho de 2026. (Bênção MURHABAZI/AFP via Getty Images)
O surto mais mortal na RDC ocorreu entre 2018 e 2020, durante o qual morreram quase 2.300 pessoas.
Entretanto, regras de viagem estão a ser implementadas em todo o mundo para evitar que o vírus atravesse as fronteiras.
Os Estados Unidos afirmaram na segunda-feira que os seus cidadãos na República Democrática do Congo não poderiam regressar a casa em voos comerciais e teriam de passar pelo menos 21 dias num terceiro país.
Os não-cidadãos que estiveram recentemente na RDC, no Uganda ou no Sudão do Sul não seriam autorizados a viajar para os Estados Unidos, informou a Reuters, citando um funcionário da Casa Branca.