O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, enfatizou a necessidade de um “diálogo aberto” com a União Europeia, rejeitando ao mesmo tempo a ideia de comércio unilateral. Estas observações são interpretadas, por alguns, como uma crítica velada ao chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, após uma escaramuça diplomática.
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“Acreditamos na importância de um diálogo abrangente, honesto e aberto com a UE”disse Gideon Sa’ar. «Mas o diálogo não pode ser reduzido a um único partido ditando as suas posições políticas ao outro. Especialmente quando se trata de questões que vão ao cerne da nossa existência.»
O ministro das Relações Exteriores acrescentou que a relação entre Israel e a Europa é “importante para nós dois.”
Kaja Kallas, a principal diplomata do bloco, teria dito em privado aos responsáveis da UE durante uma viagem ao México no mês passado que o tratamento dispensado por Israel aos palestinianos era semelhante ao regime do apartheid na África do Sul.
Isto levou Gideon Sa’ar a romper o contacto diplomático com Kaja Kallas até que uma explicação fosse fornecida. Esta respondeu então afirmando que dava valor à “diálogo e compromisso” com Israel, sem contudo mencionar os comentários relatados sobre o apartheid.
Gideon Sa’ar fez estas observações esta segunda-feira, 22 de junho, em Jerusalém, ao lado da Comissária Europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, ao concluir uma visita de dois dias a Israel e à Cisjordânia ocupada.
Falando ao lado de autoridades da UE, Dubravka Šuica disse que os parceiros do Médio Oriente devem poder falar abertamente, acrescentando que “parcerias exigem diálogo aberto e honesto”.
Nem ela nem Gideon Sa’ar fizeram qualquer referência explícita a Kaja Kallas durante esta breve coletiva de imprensa.
Por outro lado, um diplomata europeu, que falou à Euronews sob condição de anonimato, considerou que não era o melhor efeito para Dubravka Śuica ficar ao lado de Gideon Sa’ar sem abordar “o boicote do colega”.
A Euronews revelou pela primeira vez que os dois responsáveis se reuniriam na manhã de segunda-feira, em meio ao aumento das tensões entre Israel e o bloco.
Pressão de vários governos
Para além da controvérsia sobre Kaja Kallas, espera-se que o executivo da UE proponha uma série de opções para restringir o comércio da UE com os colonatos israelitas, depois de os Estados-membros terem aumentado a pressão numa reunião na capital belga na semana passada.
A Comissão está sob constante pressão da maioria dos governos europeus para apresentar propostas sobre como restringir o comércio com as colónias, considerado ilegal ao abrigo do direito internacional.
No entanto, tendo já passado o que muitos consideraram como o prazo informal de 13 de julho, o documento de opções permanece em espera.
O serviço de porta-vozes da Comissão Europeia esclareceu que a visita de Dubravka Šuica fez parte de uma viagem turbulenta pelo Médio Oriente, tendo o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) sido informado desta reunião há muito planeada, disse a porta-voz principal, Paula Pinho.
“Continuaremos a afirmar que este diálogo e envolvimento respeitoso e construtivo são importantes com todos os nossos parceiros”acrescentou o porta-voz da Comissão, Markus Lammert. “E ainda mais quando há diferenças.”
Durante esta viagem, Dubravka Šuica também deverá encontrar-se com o presidente israelita Isaac Herzog em Jerusalém e discutir as relações bilaterais, bem como a situação em Gaza, entre outros temas.
Em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, ela também deverá encontrar-se com o vice-presidente palestiniano Hussein Al Sheikh e o primeiro-ministro Mohammad Mustafa para discutir a continuação da ajuda da UE, bem como outras questões.